30/10/2010

Leitura do livro “Para uma filosofia do ato responsável” de Mikhail M. Bakhtin

Alguns pontos de discussão:
És responsável pelo ato de julgar. A escolha é individual. A formação do juízo não é individual. O juízo é um ato cognitivo histórico-individual.


A atividade é de minha responsabilidade. Eu sou responsável pela minha atividade, sou responsável pelo juízo dessa atividade.


A ciência da razão criou um ser humano historicamente inexistente, uma consciência em geral, inexistente que se opõe ao ser humano real, pensante incorporado no mundo. Não dá para separar o homem do mundo real. É como se a inteligência não precisasse da realidade para criar. A inteligência inexiste fora do ser humano efetivo.


Quando separamos o juízo da unidade de ação-ato historicamente real não há o evento do existir. Os juízos de valor inexistem sem o sujeito real. Eu julgo que é importante trazer essa tecnologia para essa escola (ex. uma maquina de Braille), só que não existe um sujeito para utilizá-la, uma pessoa cega, nem um professor que a domine. Esse ato é irresponsável, não tem razão de existir.


Bakhtin está tentando desconstruir a dicotomia entre juízo e ato.


É aterrorizante usar a tecnologia desvinculada da unidade singular do existir. Os atos irresponsáveis quando não tem imbricamento entre conteúdo e sentido ficam esvaziadas. As políticas públicas de enviar computadores para escolas vai contra a realidade de algumas escolas que sequer não tem salas para instalar esses equipamentos. A tecnologia não tem razão de existir sem o uso efetivo dela. A escrita não tem razão de existir sem uso efetivo.


Algumas ciências não consideram a historicidade. Se uma teoria fica só na abstração, ela não tem razão de existir. Ela não serve para um ato responsável. Se a teria não se materializar em uma prática, em um ato, não tem razão de ser.


As teorias fechadas as suas fronteiras, autonomia independente do mundo real, inviolável. O conhecimento fechado, abstrato não serve para o mundo real.


Se o mundo teórico fosse de fato autônomo, ele existira sem mim. Há um equivoco que uma estrutura abstrata se sustente por si só. Sem o real, a abstração não existiria.


O conteúdo-sentido é o resultado do juízo. O juízo é construído socialmente. Não se dicotomiza juízo de prática. O conteúdo-sentido decorre de nosso ato.

Reunião do GELPEA 30/10

Participantes: Sueli, Rita B, Rita L., Pastana, Bernadete, Paty, Anchieta. Local: casa da Socorro Pastana

Pauta: informes; estudo de “Para uma filosofia do ato responsável”.
 Interletras - data e temática: 24, 25 e 26 de novembro de 2010 - “Local e universal: faces e interfaces” - proposta de compor uma mesa. Mesa: proposta de Rita e Sueli fazer parte da mesa. Elisa “letramento digital”, Socorro Cardoso: multilinguísmo;
 Folder: está grande, divulgando as rodas de conversa. Sugestão de refazer. Esperar que fique pronta a logomarca. Tirar as teses e dissertações. Aprontar para o interletras. A escolha da logomarca será por e-mail.
 Congresso da ALAB julho/2011 - Rio de Janeiro - 25.07 a 28.07.2011
 SIGET: 15 a 19 de agosto de 2011. Natal.
 ABAETETUBA: Palestra previsão dezembro - primeira quinzena - com palestra do Prof. Sandoval + Anchieta. Evento maior: primeiro semestre de 2011.
 Local de reunião: proposta de ser na UEPA. Sala de reunião da sala de professores. Reunimos mais nos finais de semana. Outro local a escola Astério de Campos. Há possibilidade no NPI. O sábado é um bom dia. Decisão: ser sábado ou dias imprensados - quinzenal - sem um local fixo. UEPA ou Astério de Campos. Próxima reunião: 20 de novembro/ 2010 - sábado às 15 horas. Temática: continuação da leitura de “Para uma filosofia do ato responsável”. Metodologia: cada um deve ler o livro da p. 53 a 64.
 Livro: Linguagem e trabalho docente proposto por Sandoval. Pedir para prorrogar os prazos. Possibilitar escritos em duplas.
 Atualização de currículo: encaminhar para Sueli.

Considerações gerais da defesa da dissertação da Rita Leal


A Sequência didática
 LEAL, Rita de Cássia Macedo Leal. Sequência didática e avaliação formativa em documentos acadêmicos: contribuição para o ensino/aprendizagem de gêneros em língua materna. Dissertação de Mestrado — programa de Pós-Gradução em Letras da Universidade Federal do Pará: Belém, 2010.

 
 
Data de defesa: 29/10/2010.
A presente pesquisa, bibliográfica e documental, partiu do pressuposto de que o procedimento sequência didática ao ser utilizado numa multiplicidade de estudos corre o risco de ser visto mais como uma proposta do momento, sob o efeito de moda e desprovida de reflexão da prática docente, do que reconhecidamente visto como procedimento didático e formarivo que está a disposição do docente para melhor planejar a aula de português, como também didatizar o gênero textual (oral ou escrito). Feitas as abordagens teóricas e concluída a análise do corpus (sete dissertações e uma tese) elaboramos as seguintes considerações finais:
• A realização de uma SD exige bom planejamento para ser exequível;
• Não basta acreditar no potencial didático-metodológico do dispositivo SD, é preciso articular seus pressupostos teóricos em que declaram fundamentar seu trabalho, com as escolhas metodológicas realizadas de fato;
• Importância do projeto de comunicação efetivo, para sustentar a motivação dos aprendentes e dar sentido à sequência didática;
• As propostas que melhor êxito tiveram são as que foram significativas ao mesmo tempo do ponto de vista discursivo e do ponto de vista da aprendizagem;
• A dimensão genuinamente formativa, articulada às dimensões processuais e modulares da SD, potencializa seu valor como modelo para o E/A de gêneros em língua materna.

29/10/2010

Defesa da Rita e palestras

Participamos (os membros do GELPEA) hoje, dia 29, de uma defesa e duas palestras na UFPA.
Pela manhã foi a defesa da prof. Rita de Cassia Macedo Leal. O título da dissertação de mestrado é Sequência didática e avaliação formativa: contribuição para o ensino/aprendizagem em língua materna.
Trata-se de uma análise de dissertações e teses sobre o trabalho com sequência didática. Uma das conclusões é que algumas dissertações e teses fazem a descrição dos módulos das sequencias, como proposto Dolz, Schneuwly e Noverraz, em módulos, outros nem tanto, indicando que há uma variedade de formas de se trabalhar com essa metodologia, algumas propostas são bem contraditórias.
Pela tarde, assistimos a palestra do prof. Adair Bonini a respeito do jornal na sala de aula. O destaque de sua fala foi a classificação de Rojo (2009) sobre as práticas sociais de letramento: a) multiletramento; b) letramento multissemiótico – são as várias linguagens, as várias semioses; e c) letramento crítico e protagonista – as formas de agir, de ver o mundo, que reflete sobre o mundo, sobre os fatos, quando o aluno pode se colocar para atuar, transformar a sociedade.
Outro destaque são as metodologias para se trabalhar a partir dos gêneros textuais: a) projetos didáticos (HERNANDEZ; VENTURA, 1998, KAUFMAN; RODRIGUES, 1995, ZEN, 2002) ; b) sequência didática; c) portifólio (JOHNS, 1997, 2001) – técnica que faz coleta de material, conduzindo a formação e a avaliação dos alunos; d) retextualização (MARCUSCH, 2002).
Pode ocorrer uma passagem de uma metodologia a outra.
Em todo caso, destaca-se que o trabalho com gêneros textuais abrange o contexto de produção e o de circulação.
A segunda palestra foi do professor Júlio Araújo com o título Letramento em tela: interação e mediação na Web. Tratou dos mitos sobre a internet, dos letramentos que ocorrem e de exemplos de trabalhos que analisam aprendizagens nesse ambiente.
Os mitos colocados em discussão foram os seguintes: quem escreve na internet é burro, a web é um perigo para escola, a internet não é ambiente sério, não é possível aprender/ensinar na internet, o professor será substituído pelo computador.
Os letramentos discutidos, foram apresentados por um esquema, como o abaixo.
Fonte: http://librarynext.wordpress.com/school-library-blogs/

Por fim, o professor descreveu exemplos de uma turma, citando exemplos de gravações de falas de alguns alunos, indicando que os mesmos estavam usando e aprendendo neste ambiente. E concluiu: não é a internet que propicia letramento, mas a intervenção do professor.



 

 



A defesa de Mestrado da Profª Rita de Cássia Macedo Leal

Parabéns pela belíssima defesa, Rita Leal!!
O conceito EXCELENTE foi merecido.


  



Comentários:
"se alguém tiver algum contato com a profº Rita e email passe para mim favor... Muito obrigada"- Carol- 30 de outubro de 2010 13:34

28/10/2010

Programação de sexta-feira

Na sexta-feira , no dia 29 de outubro, no Auditório Paulo Mendes, o Mestrado em Letras da UFPA estará promovendo dois eventos:

A defesa de Mestrado da Profª Rita de Cássia Macedo Leal, que será realizado às 9h;
As palestras do profº Adair Bonini e do profº Júlio César Araújo:a primeira, de 14:00 às 15:30, será sobre Jornal escolar, gêneros e letramento midiático no ensino-aprendizagem de linguagem proferida pelo Prof. Dr. Adair Bonini (UFSC); e, a segunda de 15:45 às 17:15 será sobre Letramentos na tela: interação e mediação na web ministrada pelo Prof. Dr. Julio Cesar Araujo (UFCE).

26/10/2010

GELPEA EM FESTA

A professora Helena Chaves aniversariou no dia 25 de outubro e aproveitou a companhia dos colegas do grupo para comemorar. Isso aconteceu depois da participação no I CELLI, em Castanhal.

Eventos: I SELLI (UFPA-Castanhal) e XVI Fórum de Letras (UNAMA)- 26 e 27 de outubro



 Os membros do GELPEA participaram hoje, dia 26/10 do I Seminário Línguas e Literaturas (SELLI) no Campus da Universidade Federal de Castanhal.



A sessão coordenada Interação em sala de aula: instrumentos didáticos na aula de português
Coordenador: Profº Dr. José Anchieta de Oliveira Bentes (UEPA/Belém)


Participantes: Dr. José Anchieta de Oliveira Bentes; Esp. Rita Leal; Me. Rita Bentes; Me. Socorro Pastana; Me. Helena Chaves.

1) ADOLESCENTES E JOVENS COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA: COM QUAIS INSTRUMENTOS DIDÁTICOS É POSSÍVEL TRABALHAR? 
José Anchieta de Oliveira Bentes - (UEPA/SEMEC BELÉM)

2) DIMENSÃO FORMATIVA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: CONTRIBUIÇÃO PARA O ENSINO/APRENDIZAGEM DA LÍNGUA MATERNA
Rita de Cássia Macedo Leal (UFPA)

3) O TRABALHO DOCENTE NO ENSINO DE PORTUGUÊS: DA INTERAÇÃO DIDÁTICA AOS SABERES E INSTRUMENTOS MOBILIZADOS
Rita de Nazareth Souza Bentes (SEDUC/UEPA)

4) APROPRIAÇÃO DO GÊNERO CARTA DE LEITOR: UMA ABORDAGEM TEXTUAL-ENUNCIATIVA
Maria do Perpétuo Socorro Dias Pastana (Escola de Aplicação – UFPA)

5) NA INTERAÇÃO COM TECNOLOGIAS MODERNAS, AS PRÁTICAS DOCENTES TRADICIONAIS EM CONSTANTE PROCESSO DE SEDIMENTAÇÃO
Maria Helena Rodrigues Chaves (UFPA)








 









XVI Fórum de Letras UNAMA- 27 de outubro

 SESSÃO COORDENADA PRÁTICAS DISCURSIVAS EM SALA DE AULA


Coordenadora: Sueli Pinheiro da SILVA (UEPA)


PERGUNTAS E RESPOSTAS NUMA INTERAÇÃO EM AMBIENTE ESCOLAR
Maria da Conceição AZEVÊDO (Universidade Federal do Pará)

INTERTEXTUALIDADE NAS PRODUÇÕES DE ALUNOS DA 5ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL
Isabel Cristina França dos Santos RODRIGUES (SEDUC/SEMEC/PPGED-UFPA)

ALGUNS ASPECTOS MULTISSEMIÓTICOS NA CONSTRUÇÃO DA EXPOSIÇÃO ORAL
Jane M. ALVES (SEDUC)

TRABALHO DOCENTE NA ESCOLA – USINA:
MODOS DE DIDATIZAÇÃO DE OBJETOS GRAMATICAIS
Débora Cristina do Nascimento FERREIRA (SEDUC)





 
 
 



25/10/2010

Estudo do dia 25 de outubro- casa da Isabel Rodrigues- das 9h às 13h.



                        Instrumentalização e atualização do nosso blog

 
  Organização das apresentações do XVI Fórum de Letras UNAMA 


22/10/2010

XVI Fórum de Letras da UNAMA: participação do GELPEA

COMUNICAÇÃO COORDENADA UNAMA - PRÁTICAS DISCURSIVAS EM SALA DE AULA - SALA A 202 - Coordenação: Sueli Pinheiro da Silva (UEPA) - 27 de outubro . 9h00

RESUMO
O ensino e a aprendizagem de língua portuguesa tem sido palco de grandes conflitos, seja para o professor que ensina uma língua que todos já falam, seja para o aluno que encontra na escola a imposição de práticas de linguagem que pouca ou nenhuma relação tem com as que ele precisa para interagir em diferentes situações de uso da língua. Nas últimas décadas o ensino mais tradicional tem sido alvo de muitas críticas, dada à ineficácia de seus resultados. Entender a língua como estrutura não foi suficiente para desenvolver no seu falante, usuário ou utente a competência comunicativa necessária sequer para o razoável exercício de sua cidadania. A partir de tal cenário, se fizeram necessários estudos voltados para rever ou potencializar nossas práticas de ensino de línguas, bem como para o modo de constituição de aprendizagens na e sobre a língua. Portanto, é necessário perceber a língua como constituidora de discursos, posto que o que é linguístico é também discursivo. Nessa perspectiva, os estudos bakhtinianos nos deixam incontestável contribuição, visto que a língua é dinâmica e serve a propósitos discursivos de naturezas diversas para manifestar atos para e sobre o outro. A presente discussão pauta-se na necessidade de rediscutir não apenas o resultado, mas o processo em que se inserem nossas práticas de ensino e aprendizagens concomitantemente. Para isso é necessário considerar as práticas discursivas factualizadas na sala de aula de modo a superar aquelas historicamente legitimadas pelas práticas tradicionais de ensino.
Palavras-chave: Ensino de língua. Práticas de linguagem. Práticas de ensino.


TRABALHOS:
1) INTERTEXTUALIDADE NAS PRODUÇÕES DE ALUNOS DA 5ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL - Isabel Cristina França dos Santos RODRIGUES (UFPA)
2) ALGUNS ASPECTOS MULTISSEMIÓTICOS NA CONSTRUÇÃO DA EXPOSIÇÃO ORAL - Jane M. ALVES (SEDUC)
3) PERGUNTAS E RESPOSTAS NUMA INTERAÇÃO EM AMBIENTE ESCOLAR - Maria da Conceição AZEVÊDO (UFPA)
4) TRABALHO DOCENTE NA ESCOLA – USINA: MODOS DE DIDATIZAÇÃO DE OBJETOS GRAMATICAIS - Débora Cristina do Nascimento FERREIRA (SEDUC)

Comentários:


"Quantas produções! O grupo está a todo vapor. Parabéns!

Abraços e sucesso a tod@s!!!"
Vera Travassos

15/10/2010

O dia do professor

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_professor

No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Teresa de Ávila), Pedro I, Imperador do Brasil baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, "todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras". Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.
Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia efetivamente dedicado ao professor.
Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como "Caetaninho". O longo período letivo do segundo semestre ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça - inclusive dos pais. O discurso do professor Becker, além de ratificar a idéia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pela frase " Professor é profissão. Educador é missão". Com a participação dos professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".

Comentários:
"Interessante conhecer mais sobre a história do dia que homenageia esses grandes profissionais, mas é triste saber que muitos estabelecimentos de ensino tratam essa data como apenas mais um feriado, ignorando o enorme valor dos professores e profissionais da educação na sociedade. Todos eles deveriam ser homenageados assim como no estabelecimento citado".
Graciete


18 de outubro de 2010 14:37

10/10/2010

Círio de Nazaré

Queridos colegas,

Vocês estão me oportunizando um momento ímpar em minha vida, em que, ao mesmo
tempo que eu me consumo com a rotina da vida: casa, filho, mãe, escola,
aluno..; pinço um tempinho para ler e meditar sobre tantas coisas importantes
para o meu crescimento profissional e pessoal. Já to bem adiantada na tarefa de
divisão do tempo, outras aprendizados virão.
Obrigada, colegas!
Desejo a todos um Círio de muita paz!!
Socorro

FELIZ CÍRIO a todos vcs!!! Que Maria abençoe nossas vidas, nos dê força pra continuarmos nossas caminhadas e ilumine nossas ações, a fim de que o Grupo consiga colaborar cada vez mais com a educação de nossa sociedade paraense.
Abraço
Paty

09/10/2010

I SELLI - I SEMINÁRIO DE LÍNGUAS E LITERATURAS: TESSITURAS, INTERAÇÕES E CONVERGÊNCIAS

Comunicação coordenada do dia 26/10/2010, das 15h40 – 16h50
Temática: Interação em sala de aula: instrumentos didáticos na aula de português
Coordenador: Profº Dr. José Anchieta de Oliveira Bentes (UFPA/Belém)
Participantes: Me. Rita Bentes, Esp. Rita Leal, Me. Helena Chaves, Me. Socorro Pastana; Dr. José Anchieta de Oliveira Bentes

Pretende-se nesta coordenada discutir o fenômeno da interação verbal e social que ocorre com o uso de diversos instrumentos semióticos e materiais. Os participantes analisam e formulam teorias sobre o trabalho docente, sobre a interação docente-discente e sobre a circulação dialógica que fornece ao discente o fundamento de linguagem que lhe permite colocar-se em relação com o outro. Os trabalhos da coordenada estão em torno do uso de materiais gráficos e de adesivos, com adolescentes com deficiências múltiplas; do uso da Carta de leitor, com adolescentes da Escola de aplicação da Universidade Federal do Pará; dos relatórios de estágios, com jovens da licenciatura em letras desta mesma universidade; das propostas de trabalho apresentadas por pesquisadores e professores a respeito da concepção de sequência didática e de avaliação formativa; e do trabalho com o conto regional, a propaganda impressa, o seminário escolar, a sinopse e o texto teatral, por parte da professora e alunos da Universidade Federal em uma atividade de oficina para alunos do Ensino Fundamental circunvizinhos desta Instituição de Ensino.
Palavras-chave: Interação; instrumentos didáticos; prática docente.


APROPRIAÇÃO DO GÊNERO CARTA DE LEITOR: UMA ABORDAGEM TEXTUAL-ENUNCIATIVA

Maria do Perpétuo Socorro Dias Pastana
(Escola de Aplicação – UFPA)

RESUMO
Discutimos neste trabalho as marcas linguísticas que assinalam três fenômenos de natureza textual-enunciativa, constitutivos dos modos com que os alunos buscam apropriar-se do gênero Carta de leitor, sobre o tema “voto nulo anula a eleição?”. O evento foi marcado pela leitura e discussão de artigos divulgados na mídia que provocaram a aprovação e a indignação de grande parte da sociedade brasileira. Levando em consideração a polêmica sobre o assunto, propusemos aos alunos que escrevessem uma carta apoiando ou criticando a posição defendida pelo autor de um dos textos, escolhendo-o para ser seu interlocutor. A análise das marcas linguísticas dos textos é feita considerando os seguintes fenômenos: i) a construção do posicionamento enunciativo; ii) a construção da textualidade; iii) a construção da argumentação. Mais especificamente, propomos demonstrar como os textos-discursos são instrumentos imprescindíveis para compreender de que lugares sociais falam os sujeitos desta pesquisa, como constituem a si e aos outros, e como articulam o seu dizer. Para tanto, a base teórica deste trabalho constitui-se dos postulados Bakthinianos e das orientações da abordagem do interacionismo sociodiscursivo. A tarefa que nos demos neste estudo consistiu em analisar os efeitos das marcas linguísticas usadas pelos alunos nas Cartas de Leitor, a fim de explorar a relação sujeito-linguagem a partir da consideração do texto escrito. Consideramos que as análises do movimento enunciativo ajudaram a desvelar os modos como os sujeitos-alunos localizam-se no conjunto de suas relações sociais, a partir das posições assumidas no texto, ora individualmente, ora ancoradas no grupo. Essas posições revelam, assim, o nível de amadurecimento do aluno que, mesmo preconizando mudanças, mostra-se influenciado pelo meio social. Daí configurar-se a predominância de um enunciador coletivo por meio das estratégias de uso de a gente, de nós, o que permite ao sujeito flutuar diante do que diz.
Palavras-chave: Gênero Carta de leitor; Produção textual; Interacionismo sociodiscursivo.


ADOLESCENTES E JOVENS COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA: COM QUAIS INSTRUMENTOS DIDÁTICOS É POSSÍVEL TRABALHAR?
José Anchieta de Oliveira Bentes
(UEPA/SEMEC BELÉM)

RESUMO
Este estudo pretende demonstrar que adolescentes com deficiências múltiplas podem aprender utilizando instrumentos didáticos eficazes que considerem suas capacidades e desenvolvam suas potencialidades. Trata-se de um estudo de campo em que são usados materiais gráficos e adesivos para propiciar que três adolescentes, com dificuldades de locomoção e de escrita, possam demonstrar seus saberes e desenvolver potencialidades em sala de aula. A coleta de dados ocorreu durante os atendimentos do professor especializado aos alunos considerados como deficientes múltiplos, na própria escola, em um horário que antecede a entrada do turno da tarde, nos meses de agosto e setembro de 2010. O registro foi feito por meio de gravações e de um diário de bordo em que o próprio pesquisador interagia com os alunos na sala de aula, no momento do atendimento pedagógico especializado. Os resultados indicam ampla percepção de vocabulário, construindo frases complexas e entendimento das perguntas dos professores. Foi possível observar que o uso do recurso materiais gráficos foi facilitador da interação e serviram de instrumento para a produção de conhecimentos. Os participantes tornaram-se participantes da aula, indicando que possuem muitos conhecimentos prévios para participar efetivamente da aula, em contraste com a posição de que a escola deve desenvolver a escrita dessas pessoas. A dificuldade de vocalização pode ser superada se o professor ficar atento as falas dos alunos; o desenvolvimento escolar pode ocorrer por meio de uma avaliação que considere essa sua oralidade.
Palavras-chave: Deficiência múltipla; Instrumentos pedagógicos; Interação escolar


NA INTERAÇÃO COM TECNOLOGIAS MODERNAS, AS PRÁTICAS DOCENTES TRADICIONAIS EM CONSTANTE PROCESSO DE SEDIMENTAÇÃO
Maria Helena Rodrigues Chaves (UFPA)

RESUMO
Este trabalho propõe reflexões a respeito dos modos como o ensino de língua materna vem sendo implementado em escolas de ensino fundamental do interior do Pará, em decorrência, a nosso ver, das novas orientações curriculares (PCNs, LDB, novo ensino fundamental). Quais são os lugares que a língua portuguesa assume no espaço escolar a partir das concepções sociointeracionistas de linguagem, gramática, sujeito e ensino? Em que momento o velho e o novo se confundem, se rejeitam ou se camuflam? Quais são os lugares que professor e aprendiz ocupam nessa discussão? Nessa jornada interpretativa adotamos os conceitos bakhtinianos de linguagem e de gêneros do discurso; o conceito bourdieusiano de habitus, a partir da leitura de Hanks (2008) e de Bourdieu ele mesmo (2010), em que o autor discute a gênese dos conceitos de habitus e de campo no campo da teoria e da prática científica; os estudos de Rojo (2007), a respeito da formação de professores e dos modos de sedimentação das práticas pedagógicas; e os de Chaves (2008), em que se problematiza o ensino tradicional. Inscrevemo-nos, assim, entre os estudos de Linguística Aplicada (MOITA LOPES, 2006) (2006), e, tomando a linguagem como objeto de estudo e dialogando com outras ciências afins, buscamos compreensão para os fenômenos sociais. Os dados que analisaremos derivam de relatórios de estágios de alunos de licenciatura em letras e foram constituídos em situação de cotidiano escolar, próximo do que André (1995) chama de “Etnografia da prática escolar” e apontam para o pressuposto de que entre as práticas tradicionais de ensino e as tecnologias inovadoras gesta-se um novo objeto de ensino, um novo ensinante e um novo aprendente, que não configuram o triângulo didático atual. Os pólos didáticos que interagem na escola atual subsistem em um espaço mais ou menos virtual, mutantes entre o velho e o novo, refratando as teorias modernas e sedimentando-as conforme os hábitos locais.
Palavras-chaves: objetos de ensino; trabalho docente; habitus; mudança


DIMENSÃO FORMATIVA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: CONTRIBUIÇÃO PARA O ENSINO/APRENDIZAGEM DA LÍNGUA MATERNA
Rita de Cássia Macedo Leal (UFPA)

RESUMO: No âmbito do ensino do Português, projetos sob forte influência das teorias que levam em consideração o processo de interação, em particular as propostas construídas com base no dispositivo didático da sequência didática, proposto por Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), multiplicaram-se, no Brasil. É justamente, o aumento no número desse tipo de projeto que chama a nossa atenção e justifica uma análise dessas propostas de intervenção em contexto escolar em contraponto com as propostas teóricas nas quais declaram se fundamentar. Nesse sentido pretendemos verificar em que medida as propostas de trabalho com os gêneros textuais apresentadas por pesquisadores/professores da linguagem dão relevância a dimensão formativa do procedimento. Nosso estudo está baseado na hipótese de que concepções de sequência didática e de avaliação formativa articuladas contribuem para o ensino/aprendizagem da língua materna e favorece o desenvolvimento das competências discursivas e linguageiras dos aprendentes.

PALAVRAS-CHAVE: Sequência Didática, Avaliação formativa, Ensino/aprendizagem do Português, Gêneros Textuais.


O TRABALHO DOCENTE NO ENSINO DE PORTUGUÊS: DA INTERAÇÃO DIDÁTICA AOS SABERES E INSTRUMENTOS MOBILIZADOS
Rita de Nazareth Souza Bentes (SEDUC/UEPA)

RESUMO
Esta comunicação apresenta um recorte da prática da professora, conjuntamente, com os alunos na disciplina Ensino-Aprendizagem em Português I, no 2º período de 2010, do Curso de Letras, da Universidade Federal do Pará. Tal experiência, oficinas de produção e compreensão de gêneros discursivos, apoiada pelo Projeto “Metendo a Mão na Massa”, para alunos do Ensino Fundamental circunvizinhos desta Instituição de Ensino, teve o objetivo de refletir sobre o trabalho docente no processo de ensino aprendizagem de gêneros discursivos, no contexto da aula de Português, buscando interpretar as formas de os docentes e os discentes focalizar o saber ensinável, o qual acontece por meio de projetos didáticos organizados em práticas de linguagem nas sequências didáticas. Este processo de ensino e aprendizagem efetiva-se com base nos diversos saberes e instrumentos tomados como discursivos e materiais, valorados e usados historicamente por estes sujeitos particulares. As trocas de saberes e usos encontram-se nos procedimentos didáticos dos ministrantes das oficinas assumindo o papel de docentes quando propõem aos alunos atividades de leitura, de escuta, produções orais e escritas destes textos, planejadas em módulos. A obtenção do corpus se deu por meio de gravações em vídeo, áudio, anotações durante a organização, a realização e a avaliação das oficinas. A análise dos dados nos permitiu revelar o modo como os docentes ensinam o conto regional, a propaganda impressa, o seminário escolar, a sinopse, e o texto teatral, sobretudo, por meio de diversos saberes e instrumentos didáticos mobilizados no processo do ensino.

Palavras-chave: Saberes Mobilizados; Sequências Didáticas; Interação Didática.

Comentários:
"O gênero carta de leitor se mostrou eficiente nesse assunto, principalmente, uma vez que um dos principais erros do aluno é deixar-se levar por sua opinião durante uma dissertação, tipo de texto onde uma das principais características é evitar usar a primeira pessoa do plural. Ótimo modo de utilizar o interacionismo sociodiscursivo numa produção textual.
Que estudo interessante o sobre adolescentes e jovens com deficiência múltipla! É triste como hoje, no século XXI, a psicopedagogia ainda tem dificuldade para entender a didática ideal para esses jovens especiais, muitas vezes dando preferência às crianças especiais. Se estudos como esse, que mostra como é simples ter uma boa interação escolar com esses alunos, fossem divulgados, muitos dos problemas em relação a eles seriam superados.
É essencial sabermos, como membros do corpo docente, que os métodos didáticos evoluem juntamente com os alunos e a sociedade. Para saber que evoluções são essas, nada melhor que estudar vários relatórios de diferentes perspectivas para finalmente entender as mudanças no habitus e nos objetos de ensino.
Para a aprendizagem da língua materna, um pouco de gramática decorativa não basta, ou continuaremos formando analfabetos funcionais. O essencial é o estudo de diversos gêneros textuais. Sabemos que a fusão entre concepções de sequência didática e de avaliação formativa contribuem para a plena aprendizagem da língua materna também.
Esse último tópico foi muito interessante também ao mostrar o modo que os docentes ensinam diversos elementos diferentes, valorizando saberes mobilizados e seguindo sequências didáticas, para assim obter uma melhor interação".
Graciete- 18 de outubro de 2010 15:14

02/10/2010

Resumos para XVI Fórum de Letras da UNAMA

SESSÃO COORDENADA
PRÁTICAS DISCURSIVAS EM SALA DE AULA
Sueli Pinheiro da SILVA (UEPA)

O ensino e a aprendizagem de língua portuguesa tem sido palco de grandes conflitos, seja para o professor que ensina uma língua que todos já falam, seja para o aluno que encontra na escola a imposição de práticas de linguagem que pouca ou nenhuma relação tem com as que ele precisa para interagir em diferentes situações de uso da língua. Nas últimas décadas o ensino tradicional tem sido alvo de muitas críticas, dada à ineficácia de seus resultados. Entender a língua como estrutura não foi suficiente para desenvolver no seu falante, usuário ou utente a competência comunicativa necessária sequer para o razoável exercício de sua cidadania. A partir de tal cenário, se fizeram necessários estudos voltados para rever ou potencializar nossas práticas de ensino, bem como para o modo de constituição de aprendizagens na e sobre a língua. Portanto, é necessário perceber a língua como constituidora de discursos, posto que o que é linguístico é também discursivo. Nessa perspectiva, os estudos bakhtinianos nos deixam incontestável contribuição, visto que a língua é dinâmica e serve a propósitos discursivos de naturezas diversas para manifestar atos para e sobre o outro. A presente discussão pauta-se na necessidade de rediscutir não apenas o resultado, mas o processo em que se inserem nossas práticas de ensino e aprendizagens concomitantemente. Para isso é necessário considerar as práticas discursivas factualizadas na sala de aula de modo a superar aquelas historicamente legitimadas pelas práticas tradicionais de ensino.
Palavras-chave: ensino de língua; práticas de linguagem; práticas de ensino.
PERGUNTAS E RESPOSTAS NUMA INTERAÇÃO EM AMBIENTE ESCOLAR

Maria da Conceição AZEVÊDO (Universidade Federal do Pará)

O diálogo em ambiente escolar envolve seus participantes em atividades diferenciadas daquelas que se dão em outras interações face a face. Este trabalho apresenta uma reflexão sobre as funções do par dialógico Pergunta-Resposta (FÁVERO, ANDRADE, AQUINO, 2006; SILVA, 2006) numa aula de leitura, para uma turma de segundo nível do Curso de Letras. A análise das trocas dialogais aponta a utilização da pergunta como recurso central na interação didática, além de demonstrar que as relações discursivas organizam de maneira singular os papéis dos participantes e as funções dos atos praticados, numa configuração discursiva própria de um ambiente de ensino institucional (GERALDI, 1997).

PALAVRAS-CHAVE: diálogo escolar; pergunta-resposta; aula de leitura.

INTERTEXTUALIDADE NAS PRODUÇÕES DE ALUNOS DA 5ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL
Isabel Cristina França dos Santos RODRIGUES (SEDUC/SEMEC/PPGED-UFPA)

O presente trabalho expõe o resultado de uma pesquisa-ação. Ele traz à tona produções textuais que servem para discutirmos os mecanismos de escrita utilizados pelos sujeitos em seus textos. Partimos do pressuposto bakhtiniano da compreensão responsiva ativa de que os educandos diante de uma atividade de produção textual escolar não são passivos. Desse modo, desenvolveu-se um trabalho que pretendia valorizar práticas sociais de contar lendas presentes no repertório cultural dos alunos. Isso nos possibilitou analisar questões pertinentes à retextualização e à intertextualidade, que perpassam, consciente ou inconscientemente, a produção escrita em sala de aula.

PALAVRAS-CHAVE: Letramento. Gêneros do discurso. Intertextualidade.

ALGUNS ASPECTOS MULTISSEMIÓTICOS NA CONSTRUÇÃO DA EXPOSIÇÃO ORAL
Jane M. ALVES (SEDUC)
O estudo realizado se particulariza nos modos singulares como alunos da 3ª série do ensino fundamental se apropriam do gênero oral- a exposição- dentro do contexto das práticas de ensino-aprendizagem. A partir de uma abordagem etnográfica colaborativa assentada em uma relação de parceria entre os envolvidos na ação foi possível desvelar fenômenos como os gestos e a postura utilizados durante as exposições orais dos aprendentes. Para tanto, são convocados os estudos enunciativo-discursivo (BAKHTIN 2003, 2006), sócio-histórico (Vigotsky, 1998), discursivo-semiótico (KRESS e JEWITT, 2003) e o estudo acerca da sequência didática (Schneuwly e Dolz, 2004). Assim, as ações e os resultados obtidos se efetivaram nesses modos multimodais.

Palavras-chave: apropriação; exposição oral; ensino-aprendizagem; modos multimodais.

TRABALHO DOCENTE NA ESCOLA – USINA:
MODOS DE DIDATIZAÇÃO DE OBJETOS GRAMATICAIS


Débora Cristina do Nascimento FERREIRA (SEDUC)

O presente artigo tem como finalidade discutir o processo de didatização de objetos gramaticais em uma aula de Língua Portuguesa para uma turma do 1° ano do Ensino Médio. Para concretização deste objetivo, recorremos ao aporte teórico que concebe a docência como trabalho (Tardif e Lessard, 2009), os estudos produzidos pelo grupo de didática das línguas de Genebra, coordenado por Schneuwly, Dolz e colaboradores (2000, 2001, 2005), que têm pesquisado os modos de construção de objetos de ensino no seio das práticas didáticas por intermédio do trabalho do professor, bem como as contribuições sobre o ensino de Língua Portuguesa defendidas por Britto (1997), Batista (1997) e outros. A análise dos dados sinalizou para o predomínio de práticas de ensino de português consideradas tradicionais, as quais são somadas a elementos que reconfiguram esse tipo d e ensino ao tempo e ao espaço em que são efetivadas as aulas. A relevância do estudo reside em discutir o processo de didatização em que os objetos de ensino de natureza gramatical são instituídos como objetos efetivamente ensinados por intermédio do trabalho docente, realizado em um contexto institucional particular da cidade de Belém.

Palavras-chave: Trabalho docente. Ensino de Língua Portuguesa. Objetos gramaticais

Comentários:
"É importante conhecer certos aspectos em detrimento de outros e assim, ao assumir um ou outro ponto de vista, contruimos o nosso objeto de estudo.
Parabéns pelo trabalho professores!"

Nete- 6 de outubro de 2010 13:56

"Oi, pessoal:
Que legal que vocês descobriram o meu blog tão recente...Estou gostando dessa vida de internauta, mas tenho que sincronizar as minhas outras atividades com esta. Parabéns pela organização do blog!!! Muito boa."
Anna Christina Bentes-8 de outubro de 2010 22:11

"Muito esclarecedora esta argumentação. Nos faz pensar sobre as críticas destrutivas e ver se estamos dando ouvidos a elas, se estamos nos deixando levar pelo que escutamos, não pelo que analisamos. Lendo o artigo, podemos concordar com a visão plena do autor do texto, saber que para o ensino de língua ter sucesso as práticas de linguagem e de ensino têm de se complementar de alguma forma.
A pergunta e a resposta são essenciais para a construção de um diálogo, assim como para uma aula de leitura interativa e produtiva. O diálogo escolar, antes considerado desrespeito, é hoje, para os maiores profissionais da educação, indispensável para uma boa formação.
Trabalhos como esse ajudam as crianças a serem melhor entendidas pelos docentes, e ajudam os mesmos a identificar os erros no letramento da criança e corrigi-los da melhor forma possível. Intertextualidade sempre é eficiente, assim como a exploração dos gêneros do discurso.
A exploração destes métodos implícitos na exposição oral foi bem colocada, beneficiando os modos multimodais de aprendizagem e na apropriação de conhecimento.
O trabalho do docente no ensino da língua portuguesa mostra que a fusão de objetos gramaticais tradicionais e revolucionários é um sucesso, contribuindo para uma maior aprendizagem".

Graciete- 18 de outubro de 2010 15:25

27/09/2010

Evento sobre estudos culturais

4º sbece 1º siece – 4º Seminário Brasileiro de Estudos Culturais e Educação / 1º Seminário Internacional de Estudos Culturais e Educação 23 a 25 de maio – ULBRA Canoas RS – Brasil – site: http://www.4sbece.eventos.dype.com.br/

Apresentação

As máximas de que "o mundo mudou", de que "a escola está em crise" ou de que "as crianças não aprendem" já não dão mais conta (se é que um dia o fizeram) de nos fornecer ferramentas e argumentos necessários para pensar a cultura escolar em nosso tempo. Paralelamente a isso, estamos frente a novas lutas sociais, ligadas à construção das novas configurações culturais por meios das quais os sujeitos, a escola, a educação são hoje produzidos.
Por muito tempo, o campo dos Estudos Culturais esteve (e ainda está) comprometido com a realização de leituras e análises transdisciplinares acerca das tênues alianças entre cultura, economia e poder. Quando vinculado à Educação, o desafio nos pareceu (e nos parece) ser deslindar os fios que ligam tais temáticas (e tais alianças) à forma como a escola e os sujeitos escolares se vêem aí implicado,

OBJETIVOS
Manter-se como um espaço privilegiado de discussões sobre as políticas educacionais e culturais em suas conexões com o amplo e matizado panorama das práticas pedagógicas contemporâneas;
Socializar investigações desenvolvidas na articulação entre Educação e Cultura Contemporânea, com vistas a contribuir para a qualificação permanente dos profissionais da área;
Ampliar o debate em torno desafios atuais da pesquisa educacional desenvolvida na perspectiva dos Estudos Culturais, considerando as transformações sociais, políticas, econômicas e culturais da Pós-Modernidade.
Promover, neste momento em que a articulação dos Estudos Culturais com a Educação conta com quase 15 anos de investimentos em pesquisa, um debate acurado acerca da pertinência do campo de estudo para a educação brasileira hoje

Inscrição de trabalhos
O encaminhamento de trabalhos para o 4º SBECE/1º SIECE deverá ser feito através do envio de resumo vinculado a um dos eixos temáticos do evento. Os resumos deverão ter entre 2500 e 2800 caracteres. Não serão aceitos resumos fora desses limites.

PERÍODO DE INSCRIÇÃO DE TRABALHOS
15 de outubro de 2010 a 15 de dezembro de 2010.

SUBMISSÃO DO RESUMO
O pagamento da taxa de inscrição é condição para a submissão de trabalhos.
A inscrição no 4º SBECE/1º SIECE dá direito à submissão de, no máximo, dois trabalhos.
Não serão aceitos trabalhos com mais de dois autores.
No caso de co-autoria, ambos os autores devem se inscrever no evento.
O envio do resumo será através do próprio formulário de inscrição.
O resultado da seleção dos trabalhos pelo Comitê Científico será publicado no site www.ulbra.br/4sbece até até 10 de março de 2011. Os trabalhos aceitos deverão ser enviados até dia 10 de abril.
Os trabalhos aceitos serão publicados em CD com ISBN.

CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO
A avaliação dos resumos será feita pelos membros do Comitê Científico, considerando os seguintes critérios:
Originalidade e relevância do trabalho;
Consistência e rigor na abordagem teórico-metodológica e na argumentação;
Interlocução com a produção da área e contribuição aos eixos temáticos do Evento.
Adequação a normas da língua escrita.
Caso o trabalho não seja selecionado para apresentação e publicação, a taxa de inscrição não será devolvida. Os trabalhos que não obedecerem às normas estabelecidas abaixo não serão avaliados.

FORMATAÇÃO DO TRABALHO
Para serem publicados, os trabalhos finais deverão seguir as especificações destacadas abaixo:
Texto digitado em Word for Windows, com extensão entre 20.000 a 30.000 caracteres com espaços;
Papel tamanho A4;
Margem superior 3,0 cm e inferior 2,0 cm;
Margem esquerda 3,0 cm e direita 2,0 cm;
Fonte: Times New Roman, tamanho 12,
Espaçamento entre linhas: 1,5cm;
Alinhamento justificado;
Título em maiúscula, negrito, com alinhamento centralizado;
Nome do(s) autor(es), seguido da instituição, abaixo do título com alinhamento à direita;
Citações e referências conforme as normas da ABNT;
Os arquivos deverão ter no máximo 2Mb.
Mais instruções a respeito do envio do texto completo estarão no site após dia 10 de março de 2011.

25/09/2010

Mesas coordenadas do GELPEA

Participaremos do I SELI - I Seminário de Línguas e Literaturas: Tessituras, Interações e Convergências – Local: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ CAMPUS DE CASTANHAL (CUNCAST)- FACULDADE DE LETRAS

Comuncação coordenada do dia 26/10/2010, das 15h40 – 16h50

5-Temática: Interação em sala de aula: instrumentos didáticos na aula de português Coordenador: Profº Dr. José Anchieta de Oliveira Bentes (UFPA/Belém)
Participantes: Me. Rita Bentes, Esp. Rita Leal, Me. Helena Chaves, Me. Socorro Pastana, MSc. Inéia Abreu

Também participaremos do Fórum da UNAMA nos dias 25, 26 e 27 de outubro de 2010
PRÁTICAS DISCURSIVAS EM SALA DE AULA
MSc. Sueli Pinheiro, MSc. Débora Ferreira, MSc. Isabel Rodrigues, MSc. Jane Alves, MSc. Conceição Azevêdo.

18/09/2010

REUNIÃO DO DIA 18.09.10

OLÁ PESSOAL, NOMES DAS PESSOAS PARA EVENTO DA UNAMA, SUGESTÃO PARA NOME DA SEÇÃO E INSERIR OS NOMES DAS FALAS, BEL CONFIRME COM A CÉLIA E PEÇA O CONFIRME O HORÁRIO POR FAVOR,
UNAMA: JANE, DEBORA, BEL, SUELI (COORDENADORA), CONCEIÇÃO

SUGESTÃO DE NOME PARA SEÇÃO: PRÁTICAS DISCURSIVAS EM SALA DE AULA

DÉBORA: TRABALHO DOCENTE E ESCOLA-USINA: MODOS DE DIDATIZAÇÃO DE OBJETOS GRAMATICAIS

CASTANHAL ANCHIETA, RITA, HELENA, RITA LEAL, SOCORRO PASTANA, INEIA

SUGESTÃO DE NOME PARA SEÇÃO: INTERAÇÃO EM SALA DE AULA: INSTRUMENTOS DIDÁTICOS NA AULA DE PORTUGUÊS

PRÓXIMA REUNIÃO: 02.10.10- CASA DA SUELI- 16h

12/09/2010

Uma tese é uma tese - Mário Prado

UMA TESE É UMA TESE
MARIO PRATA

Crônica publicada no jornal O Estado de Sao Paulo.
7 de outubro de 1998.
Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.
As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, séculos, defendendo uma tese.
Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte.
O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre - sempre - uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo.
São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?
Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha.
Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.
Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo pára, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.
E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.
Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser - tem de ser! - daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290.
Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.
Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós, pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto.
Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que nos interessa e nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?
Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar a tese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?
E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza.
Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese.
Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou:
- Não vou mais estudar! Não vou mais na escola.
Os dois pararam - momentaneamente - de pensar nas teses.
- O quê? Pirou?
- Quero estudar mais, não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Quero estudar mais, não. Não me deixam nem mexer mais no computador. Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês?
Pensando bem, até que não é uma má idéia!
Quando é que alguém vai ter a prática idéia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história?
Acho que seria um tesão.

08/09/2010

Primeiro dia no CIAD - Rio de Janeiro

Participamos do CIAD, na UFRJ. A abertura foi com os prof. Patrick Charaudeu e Dominique maingueneau. Apresentarei aqui algumas anotações sobre a fala de Charaudeu.

O Prof. Charaudeu, de uma maneira descontraída, apresentou fatos ocorridos em suas vindas ao Brasil. Desses fatos, levantou a hipótese de que o brasileiro sabe modalizar: “Eu acho que posso” (referindo a um carregador de bagagem no aeroporto), “é pertinho...” (demora cerca de uma hora). Parece que o verbo achar é mágico. O professor usou o verbo para se livrar de um assaltante: “eu acho que eu vou me zangar!” E os assaltantes saíram correndo. No hotel, disseram: “eu acho que o senhor teve muita sorte.”
A partir desses exemplos, se formula a tese da modalidade enunciativa. Tais atitudes são características de identidades, ou rituais sociolinguísticos.
Os brasileiros têm uma maneira efusiva para saudar. E para agredir pode ser muito sutil.
Outra questão colocada foi a distinção entre o ponto de vista da língua e o ponto de vista do discurso. No ponto de vista da língua se discute um conjunto de marcas presentes no texto ou enunciado. Algumas categorias: pronomes, tempos do verbo, dêiticos, verbos e advérbios.
No ponto de vista do discurso se discute o processo de encenar o seu dizer, a situação de interação, a imagem do seu interlocutor, o universo de saber do seu interlocutor.
O que predomina é o o ponto de vista do discurso: é a partir dele que realizamos as estratégias e utilizamos os elementos linguísticos.

05/09/2010

Trabalhos com Gêneros Discursivos

O GÊNERO LENDA E SUAS CONTRIBUIÇÕES AO ENSINO DE LÍNGUA MATERNA

Isabel Cristina França dos Santos Rodrigues *(SEDUC/SEMEC)
RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo discutir a recepção do gênero lenda (narrativas “Os filhos do Boto” e “A Matintaperera” pertencentes ao acervo do IFNOPAP1), baseando-se numa perspectiva dialógica da constituição da escrita, observando as relações intertextuais e interdiscursivas presentes na produção dos alunos de uma turma de 5ª série do ensino fundamental de uma escola pública estadual a partir do corpus coletado durante a implementação de uma proposta de pesquisa-ação.

ABSTRACT

The present paper has the objective of discussing the reception myth genre (“Os filhos do Boto” and “A Matintaperera”) belongs to the IFNOPAP), based in a dialogic perspective about writing, observing the intertextual and interdiscursive relations presented on the texts in a 5 th class at a public school during the development an action research.

KEYWORDS: Literacy; Discourse genre; Textual production; Action research; Retextualization; Intertextuality.


0. Introdução

Atualmente, as atividades de produção textual têm sido o foco do trabalho desenvolvido na maioria das aulas de língua materna como uma das principais formas de avaliar os educandos no que se refere ao “domínio” do conteúdo ministrado. Em função disso, a oralidade fica cada vez mais de lado, pois é vista, em muitos casos, como algo que pode prejudicar a elaboração dos textos escritos.

Alia-se a esse encaminhamento a negação de tudo o que não está devidamente institucionalizado como padrão no contexto escolar: o uso excessivo de textos quase sempre os pertencentes a autores apresentados, sobretudo, nos livros didáticos de LM, que pouco estão relacionados à realidade dos alunos. Conseqüentemente, os educandos são convocados a elaborarem textos (redações) cujos temas não refletirão as experiências e as necessidades comunicativas que eles acumulam em interações com outras comunidades (família, trabalho, igreja, etc.).
Deixa-se, assim, de lado a bagagem cultural dos educandos, tendo-se a leitura como uma atividade quase mecânica. Resta aos alunos tentarem dar conta das tarefas estabelecidas pelo professor e, nessa tentativa eles demonstrarão, através de seus textos, maneiras de lidar com a escrita nem sempre prestigiadas pela instituição escolar. Além disso, em sala de aula, as atividades de linguagem baseadas no texto visam à correção centrada na observação do uso do código, segundo as classificações da gramática normativa. O problema reside justamente em acreditar que em função do ensino prescritivo, pode-se desconsiderar as experiências que os educandos possuem em relação a seu sistema linguístico, uma vez que eles utilizam-se de variedades diferentes daquela privilegiada pela instituição escolar.

Por seu turno, o professor frustra-se ao perceber que suas aulas limitam-se aos exercícios das regras da gramática tradicional, mas que nas redações os alunos não conseguem usar tais regras, ou quando as utilizam nem sempre conseguem dar coerência a seus textos. Demonstra-se, assim, que a maneira como está sendo conduzido o ensino de Língua Materna nas escolas não refletirá a língua nos seus usos efetivos, seja por parte do professor, seja pelos alunos que acabarão por evadir-se da escola, uma vez que não conseguem “falar a mesma língua que ela” (Kleiman, 1998a, 1998b; Matencio, 1994 b; Soares, 1985).

A partir da observação dos encaminhamentos adotados pelos professores em aulas de LM de uma escola pública estadual, verificou-se que a base desses encaminhamentos era de se trabalhar a produção textual utilizando gêneros (principalmente os literários) apresentados no livro didático. Em função disso, propomos uma alternativa de se trabalhar com o gênero lenda (lendas do Boto e da Matintaperera), tendo em vista que este era um dos mais solicitados por parte dos alunos.

A opção pelo gênero lenda ocorreu pelo fato de se ter percebido que o gênero lenda é utilizado (pelos professores) no contexto escolar em boa parte nos eventos alusivos à semana do folclore durante o mês de agosto, e não como um objeto de ensino entre tantos outros para se trabalhar a produção textual. Além disso, o referido gênero possuía uma configuração bem diferenciada dos textos até então apresentados aos alunos no que tange à modalidade escrita (transcrição de uma narrativa com explícitas marcas da língua coloquial), que acabou por despertar bastante a curiosidade dos educandos. Trabalhos desta natureza têm sido realizados com mais frequência (Gomes-Santos, 2000; Rodrigues & Cunha, 2003; Rodrigues, 2005; 2006).

1-Fundamentação teórica

Partindo da idéia de se verificar a recepção de um gênero em sala de aula, selecionou-se para este trabalho os pressupostos teóricos do dialogismo bakhtiniano, mais precisamente, no que se refere à atitude de “compreensão responsiva ativa” por parte do interlocutor, ou seja, analisar de que forma a “réplica” do aluno no momento em que é convocado a retextualizar os textos propostos durante o desenvolvimento da pesquisa-ação atualiza certos enunciados de maneira diversificada, ora atendendo às possíveis expectativas do professor, ora subvertendo-a, ou negando-a, conforme seus propósitos interlocutivos e seus conhecimentos de mundo.

Dessa maneira, procurar-se-á mostrar que os alunos não têm uma atitude passiva diante dos textos que lhes são apresentados no contexto escolar. Assim, segundo Bakhtin, o falante “não espera uma compreensão passiva, por assim dizer, que apenas duble o seu pensamento em voz alheia, mas uma resposta, uma concordância, uma participação, uma objeção, uma execução...” (Bakhtin, 1997, p.272). Com base nisso, pode-se dizer que os educandos, no momento da produção textual, acabam por imprimir em seus textos conhecimentos de mundo nem sempre legitimados no contexto escolar, como por exemplo, as suas histórias de letramento, que bem pouco têm sido valorizadas pela escola, reiterando um modelo de letramento autônomo centrado na construção da cognição sem contextualizar os aspectos da leitura e da escrita em atividades discursivas. Assim, não cria oportunidades de implementação do modelo de letramento ideológico caracterizado pela valorização das práticas sociais significativas para determinada comunidade (Kleiman, 2003).

A escola torna-se a instituição destinada a promover e transmitir os valores legitimados por aqueles que detém o poder e que, portanto, atribuem à essa instituição a função de reiterar os papéis sociais. A língua acaba por ser um objeto de exclusão, detendo-se por assim dizer, em contextos nos quais pessoas com diferentes status societal (principalmente, aqueles de nível mais baixo, segundo os critérios que privilegiam a escrita), sentem-se, em boa parte, no que Mey (2001) chama de duplo dilema. Esses sujeitos querem ver sua voz respeitada, via suas escolhas lexicais, como também “participar de um contexto mais amplo da sociedade” (Mey, 2001, p.140), no qual são mobilizados recursos próximos às linguagens mais valorizadas socialmente.

Contrapondo-se à ideologia do modelo autônomo de letramento, a escola poderia criar estratégias (voltadas, principalmente, para os usos reais da língua) para que os indivíduos não estivessem submetidos ao ensino-aprendizagem da forma, mas da função da língua (Kleiman, 2000). Isso contribuiria para que eles não fossem etiquetados como incapazes e, conseqüentemente, fadados à ignorância, ao subemprego, à acomodação por não saberem utilizar as regras da gramática normativa de maneira adequada, por exemplo.

Em direção similar ao que defende Bakhtin (1997), vale ressaltar aqui a proposta de Possenti (2002) no que se refere à autoria dos educandos na produção escrita, posto que estes, ao escreverem, reacentuam de uma forma ou de outra um determinado gênero, fenômeno este que é um dos focos deste trabalho, pois, segundo Possenti, avaliar o grau de autoria de um texto significa considerar algumas etapas: num primeiro momento, diferenciar a leitura de um texto sob um olhar de dois tipos: a) o olhar de “o quê”, que busca apenas o conteúdo direto da mensagem do texto, e b) o olhar de “como”, ou seja, do modo como esse texto tem o seu sentido construído num dado evento comunicativo.

Diante da necessidade de o professor desenvolver um trabalho a partir dos problemas de uso da linguagem (Moita Lopes, 1996) identificados em sala de aula, procurou-se fazer uso dos embasamentos teórico-metodológicos da pesquisa-ação, pois ela oferece “um método poderoso para preencher as lacunas entre a teoria e a prática educacional” (McNiff, 1988, p. 01). Além do fato de possuir como foco “o processo do uso da linguagem” e não mais o produto final, no qual não se observa o contexto e as condições de produção das atividades de linguagem das quais os sujeitos participam. Além de um caráter educacional, a pesquisa-ação possui um caráter político, por envolver pessoas reais em situações concretas. Consideramos esta perspectiva como a mais viável para o tipo de trabalho que desenvolvemos, tendo em vista que ela leva em consideração que em qualquer estudo contextualizado é essencial que se respeite à visão que os participantes (professora-pesquisadora e alunos) têm do contexto.

No caso mais específico do ensino de LM, a pertinência da pesquisa-ação é válida, à medida que o educador, de forma geral, poderá fazer uso, por exemplo, das histórias de letramento dos seus educandos, e a partir destas ampliar o nível de letramento dos mesmos. Além disso, nessa perspectiva, a posição delegada ao professor é bastante significativa, pois ele é motivado a aventurar-se na organização de teorias que levem em conta a realidade dos demais atores do processo educativo e o contexto no qual estes se encontram. Para que isso ocorra, o educador precisa também ser criativo, colaborativo e, dialógico, visto que enquanto professor-pesquisador apresentará a sua proposta aos demais colegas e tentará persuadi-los a se envolverem nessa proposta. Isso é interessante, pois, a realidade de uma parte considerável dos profissionais em educação, mesmo nos mais variados níveis de ensino e de faixa salarial é a seguinte: carga horária máxima; turmas superlotadas; escolarização mínima exigida na sua função, entre tantos fatores que acabam por não criar condições mais favoráveis para que um professor se torne um professor-pesquisador.

2-Caracterizando o gênero lenda
Segundo Cascudo (1978, apud Rodrigues & Cunha, 2003), as lendas sofrem uma grande intervenção do sobrenatural, assim como a leitura e o ritual que são conferidos a elas, dando-lhes “meia certeza da credulidade”, que acabam por manter a tradição de um povo. Assim, trabalhar o gênero lenda, no contexto escolar, também resgataria o aspecto cultural, incentivando os educandos a darem continuidade a uma tradição que aos poucos está sendo esquecida, que é o “contar histórias”, conforme afirma (Fares, 1997) que, em sua pesquisa com contadores de histórias, verificou que essa tradição está em via de extinção por dois motivos: “a falta de tempo e o desinteresse pelas coisas do que lembra o passado” (Fares, 1997, p.31). Caberia, então à escola oportunizar esse tipo de trabalho.

Partindo-se das relações intertextuais que os alunos constroem, utilizando um gênero pelo qual já circulam, não significa que só poderemos trabalhar com gêneros que os alunos conhecem, antes mesmo do seu processo de escolarização. Mas que essa prática sirva de base para que o educando possa estabelecer mais relações intertextuais nas suas produções, já que os sujeitos terão condições mais favoráveis de conversar e principalmente, de escrever a partir daquilo que conhecem (Koch, 1998; Kleiman, 2000). Esta atitude criará condições para que o educando re-signifique as suas relações com suas práticas linguageiras e, posteriormente, tenha acesso a outros gêneros mais institucionalizados.
Para Kleiman (2000)
“o incentivo para a leitura está no cotidiano dos próprios alunos, pronto a ser percebido pelo professor que procura conhecê-los. O interesse dos alunos por um tema específico deve constituir-se no ensino por meio do qual seu repertório textual é ampliado e diversificado” (Kleiman, 2000, p.229).

Isso indica que o professor precisa conhecer os seus alunos para poder selecionar os gêneros com os quais trabalhará. O que ocorre, na maioria das instituições escolares, tanto da rede pública quanto da rede particular, é que durante a semana pedagógica, realizada no início de cada ano letivo, planejam-se os conteúdos, estratégias, recursos e formas de avaliação a serem trabalhados no decorrer do ano, antes de se conhecer os alunos. Essa é uma práxis escolar que toma os educandos como sujeitos homogêneos. Poucos são os casos em que o professor (que trabalha o dia todo na maioria dos casos) adapta o seu planejamento às necessidades de leituras manifestadas pela turma.

3- Análise dos dados

3.1. Retextualização discursivo-temática

a) Narrativa policial


No texto [05], o personagem Boto é apresentado como um tarado e não como conquistador que não precisaria, portanto, fazer uso da força para ter uma mulher. Note-se também que nesta retextualização o personagem Boto é pluralizado - “andava muitos Botos por lá” - o que pode indicar a associação a bando (marginais) ou mesmo a freqüente ameaça que muitas crianças sofrem em nossa sociedade. Isso reflete, de certa maneira, a circulação do aluno pelo gênero narrativa policial, posto que apresenta algumas características desse gênero textual, tais como: a) localização do crime feito quase sempre às escondidas: -“legaram elas pra dentro do mato”-; b) caracterização dos personagens, conforme as suas ações: as escolhas lexicais de tarados, abusaram para se referir aos Botos. As mulheres são as vítimas, que se vêem envolvidas pelos marginais (Botos) -“Mas mão sabiam que eles eram Boto depois que elas foram saber que eles eram muitos tarados”-. Observe-se que o uso do operador argumentativo “Mas”, utilizado logo após o enunciado -“eles a gararam umas mulheres”-, serve para explicar que apesar de as mulheres terem permitido que os rapazes as agarrassem (atitude relevante numa conquista), elas não imaginavam que eles eram Botos; c) detalhes das ações: -“eles pegaram elas e legaram elas pra dentro do mato abusaram muitos dalas”.

b) Os Contos de fadas


Entre os textos selecionados, tomemos alguns para mostrar indícios de como os educandos retomam, de alguma maneira, os contos de fadas. Estes indícios aparecem, ora referindo-se à progressão da narrativa dos contos de fadas, ora às ações atribuídas aos personagens típicos desses contos, contrapondo-se àqueles apresentados nos textos-base, ora estabelecendo relações com a situação comunicativa caracterizada como interação em sala de aula. No caso das relações com os contos de fadas, elas ocorreram, dentre outras maneiras a partir da progressão da narrativa, como por exemplo, na utilização da marca de circunstancialização temporal “Era uma vez” na narrativa do Boto (uma boa parte desses-11 de um total de 13). Esta marca, assim como “Feliz para sempre”, entre outras, serviram também como organizador textual e ajudaram na progressão dos textos, encaminhando o interlocutor de maneira a melhor imprimir coerência a esses textos.


A expressão “Era uma vez”, segundo Gomes-Santos (2000), serve como organizador textual, em função da tradição da narrativa oral, servindo, portanto, para orientar o interlocutor. Essa marca de circunstancialização foi reiterada, na maioria das vezes, pela marca de fechamento: “Felizes para sempre” ou expressões equivalentes.


As marcas dos contos, em que o aluno é convocado a recontar o gênero lenda, mostra a sua identidade letrada em relação aos contos de fadas, por exemplo, no texto [03], no qual a progressão da narrativa aparece nos três momentos: abertura “Era uma vez”; progressão “Um certo dia” e fechamento “ficaram felizes para sempre”. A relação estabelecida com os contos de fadas ocorre pelo uso do termo “princeza”, que remete aos frames castelo, realeza, componentes dos cenários dos contos de fadas. Observa-se também neste texto a utilização do operador argumentativo “mesmo”, atribuindo credibilidade à idéia de que a moça se apaixonou realmente pelo Boto, justificando uma quebra da expectativa por parte do interlocutor. Essa primeira construção de sentidos contrários ocorre, através de uma intertextualidade das diferenças (Sant’Anna, 1985 apud Bentes, 2003) às expectativas do enredo da lenda em questão, aproximando-se ao que Maingueneau (2005) define como “valor de subversão de um texto por outro texto”. Por conta disso, percebe-se que o educando demonstra certo indício de autoria16 por mesclar o conto de fadas com a lenda, dando outro encaminhamento ao personagem do Boto (antes, conquistava e abandonava. Agora, ele constitui família, seguindo todo um ritual), humanizando.

3.1.2- Presença da Interdiscursividade


a) Discurso masculino


Com relação aos discursos masculinos presentes em alguns textos que constituem o corpus que foi analisado, destacou-se o texto [09] pelo fato de ele deixar mais em evidência esse tipo de discurso. Deve-se levar em conta que esse texto foi produzido por uma dupla formada por meninas, durante a atividade nº 04, cujo comando era “Escolha um colega e construa uma história em Quadrinhos a partir da lenda em estudo”.


Nesta HQ há uma intertextualidade implícita com um discurso masculino percebido no seguinte enunciado: -“Ti engravidar”-. Este enunciado resume a clara intenção masculina que caracteriza o personagem do Boto. Acrescente-se a isso o encaminhamento dado pela leitura do título da história: “O Boto o igravidador de mulheres”, já sinalizando para que se construa a identidade de conquistador, que tem o claro objetivo de engravidar a moça. No entanto, há um ensaio na construção de um argumento/discurso feminino contrário presente nos enunciados: -“Mas quais são as suas itenções”-; -“O quer você está Perçando”-(no início) e -“Pocha vai mais, Devagar”-, indicando uma atitude em não aceitar passivamente a posição de mulher-objeto/submissa. Fala-se em ensaio de um discurso feminino porque na seqüência das ações, verifica-se que a moça, apesar de questionar a postura do Boto, acaba cedendo aos encantos dele.


O título deste texto encaminha a narrativa para que o leitor tenha a idéia de que o Boto só quer engravidar as mulheres com quem se envolve. Isso é reiterado pela inserção do verbo “ficar” em -“Oi gatinha que tal agente ficar hoje”-, tendo em vista que o sentido compartilhado pelos interlocutores é encontro envolvendo uma relação sexual.

b) Discurso feminino
Na HQ [20], observa-se através da tentativa de fuga do Boto em relação a Matinta, como ele sempre faz com as outras mulheres aliado ao fato de que a Matinta lhe deu uma surra (ele está todo marcado e isso provoca a admiração até de uma árvore (07) que testemunha a cena da tentativa de fuga). Entretanto, a personagem da Matinta não aceita essa iniciativa e o enlaça com um chicote. A posição social respaldada pelo repertório cultural dos interlocutores dá conta para que a sua relação com o Boto tenha um final feliz. A interdiscursivadade com o discurso feminino decorre justamente da não aceitação do abandono (ser tratada apenas como um objeto e depois ser desprezada).


O que nos chama a atenção neste texto são as escolhas lexicais efetuadas pelo aluno, por exemplo, no título “O natal do Boto e da Matinta” a forma nominal “natal” demonstra a relação com o contexto da atividade: a pesquisa foi realizada durante um período no qual estavam ocorrendo atividades relacionadas ao Natal. Isso mostra que o contexto da situação comunicativa mais imediata pode influenciar, de algum modo, na produção textual. Outro fato é de mesclar os personagens (Matinta/Boto), da utilização dos termos “gato”/”gata” e da expressão “me amarro” sinalizam, de certa forma a linguagem típica da faixa-etária dos sujeitos da pesquisa. Esse tipo de escolha expressa a posição do sujeito-autor, pois reacentua o enredo tratado a partir da sua percepção de mundo em relação à conquista e a forma de tratamento durante a conquista.c) Crendices populares
No texto [10], há uma réplica do aluno, no sentido de adicionar o uso da crendice de que ao dormirmos no interior de uma determinada maneira: -“com o cabelo p/ fora da rede”-, consegue-se atrair a Matinta Perera. A utilização da forma verbal “me falaram” com a indeterminação do sujeito parece estar relacionado ao que Gomes-Santos (1999, p.150), chama de “enunciador universal, freqüente em relatos constituídos na tradição oral”, atribuindo maior credibilidade ao seu texto. Isso é relevante porque o aluno acredita que o seu interlocutor (professora-pesquisadora) compartilha desse conhecimento.


A utilização da pró-forma “nós” indica que o aluno, ao pluralizar, insere a idéia de que não é só com ele que pode acontecer, mas com o seu interlocutor também. Isso atribui um caráter universal ao seu texto. Essa troca para “nós” mostra esse propósito interlocutivo. A inserção do termo “fumaça” retoma o referente fumo apresentado no texto-base.

4- Considerações finais


O movimento observado durante a realização das atividades demonstra que os alunos, ora concordam e ampliam a tarefa escolar, ora a subvertem, motivados pelos seus propósitos interlocutivos, evidenciando o fato de que eles não têm uma atitude passiva diante dos textos (Bakthin, 1997). E ao se trabalhar o gênero lenda, isso não foi diferente, mesmo não sendo este gênero reconhecido ainda como um recurso de ensino. Aliás, apesar de os gêneros discursivos serem elencados como os objetos de ensino de Língua Materna e o texto como a unidade desse ensino e fazerem parte da abordagem enunciativa preconizada nos PCNs de Língua Materna, mais especificamente, no que se refere aos usos da linguagem, bem pouco são evidenciados em atividades práticas de sala de aula que utilizem esses gêneros, e quando o fazem é apenas para se trabalhar aspectos concernentes às regras da gramática normativa.


Implementando-se um ensino de LM levando-se em conta as perspectivas do letramento ideológico, a escola poderia exercer o seu papel de forma justo, eficiente e ética. Para isso, deverá utilizar o ensino da língua, colocando em palco estratégias discursivas relacionadas tanto à oralidade quanto à escrita, já que de fato o projeto de ensino de LM utilizado nas escolas é bastante excludente. Acrescente-se a isso o fato de que as pesquisas acadêmicas levam um bom tempo para chegarem à escola e isso dificulta a reflexão a respeito das práticas pedagógicas do ensino de Língua Portuguesa somado ao desprezo quase total do uso da oralidade no ambiente escolar.


Diante disso, o professor de Língua Materna deveria oportunizar aos alunos o uso de vários gêneros, fazendo com que esses alunos tivessem condições de refletir a respeito não só dos mecanismos lingüísticos envolvidos nesses textos, mas também dos propósitos discursivos norteadores dos mesmos numa dada interação, além de se levar em conta os usos que os alunos fazem da língua no seu cotidiano. Entretanto, deve-se considerar que mesmo as práticas docentes não sendo ainda as mais condizentes com as perspectivas dos gêneros discursivos, numa perspectiva dialógica da linguagem, assim como de letramento ideológico, não se pode reconhecê-las como culpa do professor. Deve-se ressaltar que há sim a necessidade de se investir na formação do professor, como enfatiza Kleiman (2001), pois esse profissional teria condições mais favoráveis de elaborar programas educacionais levando em consideração o conhecimento de mundo de seus alunos.


Percebeu-se também que o gênero lenda ainda tem seu valor nos dias de hoje, posto que a é lenda repassada de geração em geração pelos pais, tios, avós etc., predominantemente, no âmbito familiar, o que não ocorre nas escolas, como se observou na pesquisa realizada. Este gênero era trabalhado durante a Semana do Folclore, o que foi reforçado na maioria dos depoimentos dos professores e técnicos da escola. Entretanto, notou-se uma ótima receptividade por parte dos alunos, uma vez que eles procuraram participar de todas as etapas da proposta de pesquisa-ação com disposição e entusiasmo, reforçando, de certa forma, a necessidade desse resgate cultural em sala de aula.




ANEXOS

Texto [05]- O Boto tarado
Era uma vez num sitiu andava muitos Botos porlá eles a gararam umas mulheres mas Mas mão sabiam que eles eram Boto depois que elas foram saber que eles eram muitos tarados eles pegaram elas e legaram elas pra dentro do mato abusaram muitos dalas quando foi no outro dia elas tavam mortas.


Texto [20]- O natal do Boto e da Matinta


(02)FELIZ NATAL GATO
(03) FELIZ NATAL GATA
(04)ME AMARRO EM VOCÊ
(05)Nem tente fugir
(06)Peguei uma surra e vou pular..
(07)Ah!
(08)e foram Felizes Pra Sempre!
FIM


Texto [10]- A feiúra da Matintaperera
A matinta Perera ela vira dela assim....
A matinta Perera tem o cabelo tudo pra frente ela é muito feia, não dá para com para, ela gosta de fumaça, a meia-noite ela vira igual ao um pássaro e da um assobio muito forte ela é igual a uma bruxa, me falaram que se nós dormimos no interior com o cabelo p/ fora da rede atrai matinta Perera, suas unhas são grandes ela tem um chicote entre as unhas.
Texto [03]- A paixão do Boto para uma princeza

O Boto era muito a paixonadando há uma princesa e ela nunca dava nem uma bola para ele mais chegou um certo dia quela se apaixono por ele. Ela se apaixonou mesmo por ele e chegou um certo dia que ele pediu a mão dela em casamento eles se casaro tiveram filhos eles aproveitaram muito a vida inteira eles ficaram felizes para sempre.
Texto [09]- O BOTO O IGRAVIDADOR DE MULHERESoi gatinha que tal agente ficar hoje
tudo
Bem
Mas quais são as suas itenções
Ti engravidar
O quer você está Perçando
Você que dança comigo
Claro que sin
Pocha vai mais, Devagar

REFERÊNCIAS


BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In:__________. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes. Pp. 277-326.
GOMES-SANTOS, Sandoval Nonato. Recontando histórias na escola: gêneros discursivos e produção da escrita. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
KLEIMAN, Angela B. Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola. In: _____ (org.). Significados do letramento. Campinas: Mercado de Letras, 2003. p. 15-61.
POSSENTI, Sírio. Indícios de autoria. In: Perspectiva, Florianópolis, v. 20, n. 01, p. 105-124, jan./jun. 2002.
RODRIGUES, Isabel C. França dos Santos, CUNHA, Maria das Graças Ferreira da. O Resgate das lendas em sala de aula.Monografia do curso de Especialização em Língua Portuguesa: uma abordagem textual. Orientadora: Profª Ana Lygia Cunha, Belém-Pa, 2003.
RODRIGUES, Isabel C. F. dos Santos. A Construção dos significados da escrita nas práticas escolares a partir de uma perspectiva dialógica da linguagem. Julho, 2004. UFPa (inédito).
_______________________________. A recepção do gênero lenda em sala de aula. Junho de 2005. UFPA. (inédito).
_______________________________. Retextualização e intertextualidade em textos de alunos de 5ª série do ensino fundamental dissertação. Agosto, 2006.



Comentários:


"Adorei seu artigo, pois realmente acredito que o professor comprometido é aquele que busca novas alternativas para motivar os alunos para um aprendizado participativo e neste aspecto o seu trabalho mostra a relevância do gênero lendas que, além de fazerem parte de nossa cultura, são bem aceitas pelos educandos, promovendo a interação e o resgate da cultura, contribuindo para uma aprendizagem participativa. Parabéns".


Jane Caxias-5 de outubro de 2010 20:27